Não é a televisão que traz para o digital. É o digital que leva para a televisão

Não é a televisão que traz para o digital. É o digital que leva para a televisão

Eu acho que isto está tudo muito relacionado com o paradigma entre aquilo que se fazia antigamente e aquilo que acontece hoje em dia no mundo, quer seja digital ou não, porque nós também estamos a viver a era global, onde é muito fácil de chegar a todo lado e estar muito próximo da informação.

Acho que os nossos empresários, mesmo que não tenham essa atitude como hoje nós falávamos aqui na conferência, “ter atitude digital”, já perceberam que o paradigma está a mudar e que os seus novos profissionais que trabalham dentro da área do Marketing, já não há grande diferenciação entre tradicional e o digital ou entre o online e o offline.

Isto quer dizer que, embora os empresários possam não ter essa atitude digital, todos os que os rodeiam, com certeza que têm que ter essa atitude digital e que perceber que esse é o caminho, que não é uma tendência, não é uma onda que vamos surfar. Não, ela já está acontecer aqui em Portugal. É prioritário que assim seja tanto para nossa economia social e política, como também para todos os consumidores e as pessoas como um todo para se relacionarem.

Carla Viana

Carla Viana – vice-presidente da Associação de Marketing Digital

É natural que o consumidor ainda esteja numa fase de prospeção do digital e que não se preocupe propriamente com aquilo que contam sobre ele o que ele deixa ficar nos meios digitais. Mas também acredito e sei que cada vez há maior preocupação em que os outros não saibam onde nós estamos e aí preservarmos a nossa privacidade.

Portanto eu acredito também que, com a nova legislação que chega já em 2018, que tenhamos um consumidor mais informado que saiba melhor aquilo que é a informação que tem ao seu dispor, e como a pode trabalhar, sem que seja descoberto, por assim dizer, isto numa lógica de muita transparência.

De trabalhar no mundo digital, mas com transparência. Não utilizar os meus dados só porque eles estão lá ou porque eu não sei.

Vamos ter com certeza um consumidor mais e melhor informado.

Como é que se gere aqui aquilo que são os conteúdos televisivos e aquilo que passa com o mundo digital. Os estudos internacionais dizem que, ao contrário do que se passa atualmente, que o consumo de televisão tem vindo a diminuir, assim como o consumo de leitura, passando a ter um caso mais digital, isto está-se a alterar. Os estudos internacionais dizem que cada vez mais as pessoas gostam de ver, mas é ver os programas que lhes interessam, às horas que lhes interessam, e aquilo que tem relevância para si.

Quer dizer que – isto aqui levava-nos para muitas horas de conversa! – e eu sou suspeita, porque defendo a televisão, mas penso que hoje em dia não é a televisão que traz para o digital é o digital que leva para a televisão.

E portanto saber fazer este trabalho contínuo entre aquilo que se passa no mundo digital, aquilo que as audiências querem, é um desafio muito interessante e acho que pode renovar as nossas televisões.

Agradecimento especial à Comprimido, que realizou a entrevista, cujo vídeo pode ser visto aqui.

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