Pesquisa Qualitativa de Redes Sociais I: Uma Introdução

Pesquisa Qualitativa de Redes Sociais I: Uma Introdução

Como psicólogo doutorado em antropologia, com uma preferência pela pesquisa qualitativa, acredito que o marketing nunca necessitou tanto de cientistas sociais quanto hoje. As rápidas mudanças dos tempos em que vivemos, criando o caos e a confusão nas redes sociais e fora delas, anunciam um novo papel para a pesquisa qualitativa e para as ciência sociais. Os números erram, mesmo em tempos de Big Data. Após os erros na previsões de sondagens em eventos tão importantes quanto o Brexit em Inglaterra e a eleição de Trump nos USA, o fervor em relação à Big Data e à Data Analytics começa de novo a ser relativizado. Designa-se por ‘Netnografia’ a técnica de pesquisa qualitativa de redes sociais, desenvolvida por Robert Kozinets, antropólogo, ex-professor da Kellogg School of Management e actual professor na University of Southern California.

Netnografia provém de etnografia, a forma de pesquisa qualitativa usada pelos antropólogos que envolve passar tempo significativo com um grupo de pessoas aprendendo o seu sistema de crenças, costumes, hábitos ou mesmo participando das suas práticas. Na sua versão online, envolve passar tempo em plataformas onde podemos aprender sobre a marca ou o produto que estamos interessados. Esta abordagem cumpre três objectivos:

1) adquirir um conhecimento mais profundo das necessidades e desejos dos consumidores;

2) geração de ideias para o marketing (e.g. design de campanha ou nova estratégia digital);

3) a geração de ideias no desenvolvimento de produto. Os dados podem provir de blogs, a microblogs (e.g. Twitter), páginas de redes sociais (e.g. Páginas Facebook da mesma marca em diferentes países) e fóruns internet. Entende-se por fóruns internet comunidades online em que os consumidores se relacionam por um esquema de perguntas e respostas.

A netnografia tem várias vantagens em relação à pesquisa qualitativa tradicional e à pesquisa de marketing em geral. É menos intrusiva e menos onerosa do que uma abordagem convencional. Ao permitir com maior facilidade do que outras técnicas detectar nuances sobre a forma como um produto ou uma marca é percebido em diferentes países, a pesquisa qualitativa de redes sociais é uma instrumento essencial para um país como o Portugal em que as verbas para pesquisar os mercados de outros países são particularmente escassas.

No próximo post sobre este assunto irei dar um exemplo prático de pesquisa e usos da netnografia em relação à marca Listerine, um elixir oral, passando algum tempo sobre o Powerpoint abaixo. No terceiro e último post desta série falarei da pesquisa que estou a conduzir actualmente sobre o ‘Pudim Boca Doce’ com vista à divulgação desta técnica em Portugal. Espero ouvir as vossas questões e comentários. Até já.

Descarregue aqui o powerpoint da Listerine.

Partilhar
Share